sábado, 22 de janeiro de 2011

Caio Prado

Caio da Silva Prado Júnior (São Paulo, 11 de fevereiro de 1907 — São Paulo, 23 de novembro de 1990) foi um historiador, geógrafo, escritor, político e editor brasileiro. As suas obras inauguraram, no país, uma tradição historiográfica identificada com o marxismo, buscando uma explicação diferenciada da sociedade colonial brasileira.

Florestan Fernandes



Anos 20
Florestan Fernandes nasceu em São Paulo, no dia 22 de Julho de 1920,
Mãe lavadeira da família Bresser
06 anos - profissões: engraxate, copeiro de bar, auxiliar de carpinteiro, de alfaiate, marceneiro, garçom
Contato com as diferenças sociais: formação pela práxis
“Aquilos que poucos da plebe conseguiam ter, a idéia do que era a outra vida, a vida dos ricos, dos poderosos – eu era capaz de perceber através de experiências concretas. Isso foi importante porque me levou a valorizar a instrução, a querer ler e estudar, a procurar uma ponte para não me conformar com aquela situação que eu ficava.”
Anos 30
“Eu nunca teria sido o sociólogo em que me converti sem o meu passado e sem a socialização pré e extra-escolar que recebi, através das duras lições da vida”.

Bar Bidu – Amigo Maneco, Novoterapia, conhece Scalla, de família socialista.

17 anos - Curso de Madureza – grupo de estudo marxista.
Hermínio Sacchetta – movimento trotskistas, Folha da Manhã.  – Partido Socialista Revolucionário.
Anos 40
1941 – 1944  21 anos. Ciências Sociais na USP.
1947 – Torna-se Mestre e docente na USP.
USP – professores que falam francês, italiano e inglês.
Segunda geração – orientador Fernando de Azevedo.
licenciatura em 1943, ano em que O Estado de São Paulo publicou o seu primeiro artigo.
Em 1944, casou-se com Myriam Rodrigues Fernandes, com quem teve seis filhos.
Neste mesmo ano, obteve o título de mestre em 1947 com a dissertação A organização social dos Tupinambá.
Na década de 40, Florestan participava de um grupo marxista, onde se dedicou ao estudo da obra de Marx e sofreu uma influência muito grande, principalmente sobre o pensamento dialético, pois isso o ajudou a entender melhor a dominação da sociedade burguesa e seus métodos expressos na realidade social.

Florestan Fernandes funda a sociologia critica no Brasil. Inaugurando um novo estilo de pensar a realidade social. Para Florestan, o pensamento se pensa todo o tempo, pois a reflexão crítica deve ser sobre o pensamento e o pensado.


Anos 50
1951 – Torna-se Doutor
concluiu o doutorado em 1951, com a tese A função social da guerra na sociedade Tupinambá, sob orientação do professor Fernando de Azevedo.
Concluído o doutorado, Florestan passou a livre docente da USP na cátedra de Sociologia I, e posteriormente, tornou-se professor titular.



Anos 60 e 70


Um pensamento importante de Florestan se deu por volta de 1969 em plena ditadura militar, com a transição da fase acadêmica-reformista para a política-revolucionária.
1965 a 1966 – Universidade de Columbia (Nova York)
1966 a 1969 – USP e Aposentadoria Compulsória.
Caso do Largo do São Francisco.
Devido ao seu engajamento na Universidade, foi perseguido pela ditadura militar e foi cassado com base no Ato Institucional de nº 5, pediu exílio, em 1969, para o Canadá, onde assumiu um lugar de professor de Sociologia na Universidade de Toronto.


1969 a 1972 – Toronto Canadá.
Distinção do marxismo acadêmico.
Isolamento total.

“O movimento socialista aqui ainda não engrenou a ponto de se diferenciar, de criar um espaço para o ser humano poder sobreviver e lutar por dentro dele. Não conseguimos isso. A ruptura com a ordem é tão superficial que as pessoas só sobrevivem se realmente se ´radicalizam´. Se as pessoas não perceberem que o status de classe média é instrumental para sobreviver, elas se destroem.”

Final da década de 70 – confronto com a ditadura.
Anos 80
“Numa sociedade de classes, se a classe trabalhadora não amadurece politicamente, se não se desenvolve como classe independente, o intelectual que se identifica com ela não pode ser instrumental para nada. A menos que ele queira ser instrumental para as suas inquietações, para o seu nível de vida, para um trabalho pessoal criador. Mas, se você vai além disso, você se esborracha. O que aconteceu comigo foi que eu me esborrachei e daí o fato de que, até hoje, não me conformo com o nosso padrão de radicalismo e de socialismo.”

Seu ingresso no partido dos trabalhadores se deu a convite do presidente do partido, Luis Inácio Lula da Silva, num momento de sua vida, onde o desencantamento com a Universidade já se fazia presente.




Eleito deputado federal duas vezes (1986 e 1990) pelo Partido dos Trabalhadores, ele manteve coerência com seu pensamento e obra, e, se destacou na defesa da escola pública e do projeto de Diretrizes e Bases da Educação. Devido à sua crítica ao governo militar, a sua ligação a movimentos sociais e organizações políticas de esquerda e a luta pela educação pública.


Anos 90
Faleceu em São Paulo no dia 10 de agosto de 1995, aos 75 anos de idade, vítima de embolia gasosa maciça (presença de bolhas de ar no sangue), seis dias após submeter-se a um transplante de fígado. Ele estava revisando os originais de seu último livro: A contestação necessária – retratos intelectuais de inconformistas e revolucionários, uma coletânea de biografias de amigos e heróis. 





Obra – elementos fundantes

Segundo Ianni, contribuições de Florestan para a Sociologia brasileira, tem origem em 5 fontes, são elas:

· A Sociologia Clássica e moderna, com diálogo contínuo, aberto e crítico que se desenvolve com os principais sociólogos, ou cientistas sociais, que apresentam alguma contribuição à pesquisa e à interpretação da realidade social.

· No pensamento marxista é contínuo e o crescente diálogo com as obras de Marx, Engels, Lênin, Trotsky e Gramsci, entre outros, incorporou progressivamente o pensamento dialético, que fica evidenciado tanto na escolha dos temas quanto no tratamento dado a eles; criando desafios para os movimentos sociais e os partidos políticos comprometidos com as lutas de grupos e classes populares.

· A corrente mais crítica do pensamento brasileiro – em diferentes momentos, manifesta-se um diálogo, explícito ou implícito, como Euclides da Cunha, Lima Barreto, Manoel Bonfim, Astrogildo Pereira, Graciliano Ramos, Caio Prado Junior e outros cientistas sociais e escritores, inclusive do século XIX. Em diferentes escritos, reencontram-se sugestões, desafios ou temas suscitados pela obra desses autores, compondo uma espécie de família intelectual fundamental e muito característica no pensamento brasileiro. Levam em conta as lutas dos mais diversos setores populares que entram no passado e no presente da sociedade brasileira. Ajudam a recuperar algumas dimensões básicas das condições de existência, de vida e trabalho, do índio, caboclo, escravo, colono, seringueiro, camarada, sitiante, operário e outros, pretéritos e presentes.

· Os desafios de sua época, a começar pelos anos 40. As transformações em curso na sociedade, em termos de urbanização, industrialização, migrações internas, emergência de movimentos sociais e partidos políticos, governos e regimes, sem esquecer as influências externas, criam e recriam desafios práticos e teóricos para muitos.

· Os grupos e classes sociais que compreendem a maioria do povo, descortinando um panorama social e histórico mais largo do que aquele que aparece no pensamento produzido segundo as perspectivas dos grupos e classes dominantes. É o negro, escravo e livre, isto é, trabalhador braçal, na lavoura e indústria, que descortina um horizonte inesperado, amplo. Ao lado do índio, imigrante, colono, camarada, peão e outros, a presença do negro na história social brasileira desvenda perspectivas fundamentais para a construção do ponto de vista crítico na Sociologia, nas Ciências Sociais e em outras esferas do pensamento brasileiro.

Além dessas cinco fontes principais da Sociologia Crítica fundada por Florestan, Ianni acrescenta outras inspirações como a militância política, a reflexão sobre a responsabilidade ética e política do sociólogo, o convívio com o pensamento latino-americano, destacando-se figuras como as de José Martí, José Carlos Mariátegui, Ernesto Che Guevara e assim por diante. Sintetizando as matrizes da Sociologia inaugurada por Florestan Fernandes no Brasil. Sociologia Crítica essa que se caracteriza como um estilo de pensar a realidade social a partir da raiz.


A Educação para o professor Florestan

Antonio Candido, intelectual, amigo de Florestan por mais de 50 anos, descreve o professor Florestan Fernandes em três momentos com a seguinte citação:

“Houve um Florestan dos anos 40, um Florestan dos anos 50 e um Florestan dos anos 60 a partir do qual a síntese já estava feita. O Florestan dos anos 40 é o da construção do saber, que ao construir o seu, constrói a possibilidade de saber dos outros. O Florestan dos anos 50 é o que começa a se apaixonar pela explicação do saber do mundo, porque, tendo já os instrumentos na mão, se dedica a aplica-los para compreender os problemas do mundo. O terceiro momento é o do Florestan que, tendo aplicado o saber à compreensão do mundo, transforma-o numa arma de combate. Naturalmente, as três etapas estão misturadas, pois sempre houve a terceira na primeira e, a primeira na terceira. Estou me referindo às predominâncias. (CANDIDO, 1986, P.33).
O professor Florestan criticou a pedagogia tradicional e condenava a postura dos educadores distante do processo social, acreditando que estes deveriam estar engajados na tarefa de transformação social. Desta forma, tornou-se defensor permanente da escola pública, fazendo da Educação um dos temas centrais da sua vida. Para ele, não poderia existir estado ou sociedade democrática sem uma educação democrática via escola pública gratuita.

Como bom marxista defendeu uma educação vinculada ao pensamento socialista. Para ele, a classe trabalhadora era a principal força revolucionária, e, portanto seus membros deveriam estar preparados, bem informados e conscientes de seu papel e isto seria uma responsabilidade da Educação. Portanto entendia a Educação como um fator de mudança social.

As faces que marcam o professor Florestan Fernandes na Educação são: a de professor, cientista, militante e publicista da Educação, faces que ele manteve em outras práticas e que mostraram a coerência deste intelectual em toda sua trajetória de vida.

A campanha em defesa da escola pública

Muitos educadores já estavam envolvidos na discussão e principalmente na criação de um projeto que, através do Estado-Educador, privilegiasse a educação escolarizada, tornando o acesso e a permanência cada vez maior nas classes mais baixas. Simultaneamente, estava em tramite a aprovação da lei de Diretrizes da Educação Nacional, que com o apoio das elites, não suportavam essas propostas. É neste contexto que nasce a campanha em defesa da escola pública.

Em torno de indignações, reuniram-se vários educadores em São Paulo e realizaram a I Convenção Estadual em Defesa da Escola Pública, donde saiu grande mobilização, dando origem a Campanha em Defesa da Escola Pública.

Essa campanha conseguiu juntar diversos intelectuais além de outros segmentos da sociedade. No meio intelectual uniu uma diferente corrente do pensamento educacional: os liberais idealistas, os liberais pragmáticos e os socialistas. Nesta esta última corrente, encontravam-se Florestan, Darcy Ribeiro e Fernando Henrique Cardoso.

A Lei de Diretrizes e Bases - L.D.B.

Tendo a Educação se apresentado como tema de grande relevância para o professor Florestan, sua atuação em defesa do tema se constitui em algo memorável. Além de sua atuação na campanha, podemos destacar a sua atuação na assembléia constituinte e no processo de construção da L.D.B.


Florestan Fernandes X Darcy Ribeiro

No processo de constituição da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, Florestan Fernandes sofre uma grande decepção com seu até então amigo Darcy Ribeiro, que havia o acompanhado na longa trajetória em defesa da Educação.

A maior injustiça de Darcy a Florestan é referente a sua frase: “Florestan não se inquieta com o milhão de alunos do proletariado estudantil, que pagam caro para estudar a noite, em escolas péssimas, montadas para fazer lucros empresariais, enganando-os. Abandona-os à sua sorte”.

Florestan, que sempre lutou pelos menos favorecidos, que mobilizou diferentes segmentos para a construção de um projeto democrático e tentou incluir nas leis medidas que contemplassem a educação popular, encontrando resistências nas comissões foi traído e injustiçado por seu amigo.

Darcy considera, também, que o projeto da Câmara consolida o atual sistema de ensino e que continuará a manter o Brasil na condição do “... país que oferece a seu povo a pior educação”.
Esse conflito vivido entre Florestan e Darcy Ribeiro foi aberto e ocupou espaço na mídia, persistindo até próximo dos últimos dias da vida do professor.
Florestan Fernandes foi professor a vida toda e apesar de decorrentes internações hospitalares nos últimos anos de vida, o sociólogo não abriu mão do tom professoral e intelectual que o caracterizava.
Florestan foi, sem dúvida, um dos maiores professores e sociólogos do Brasil por ser um dos grandes responsáveis pela Consolidação do pensamento científico no estudo dos temas sociais no Brasil.

Conclusões
Florestan Fernandes, de engraxate a Professor catedrático, 75 anos de vida dedicada a luta contra desigualdade social. Intelectual orgânico, no sentido empregado por Gramsci, foi militante aguerrido na defesa da Escola Pública de Qualidade e com forte influência marxista, acreditou, lutou e defendeu a transformação social, atribuindo papel relevante aos trabalhadores a partir da consciência de classe e incluindo a Educação como tema de grande destaque na construção e consolidação de um novo projeto de sociedade.



 

O deputado federal Florestan Fernandes
em ato pela defesa do ensino público em 1988.

Sociólogo formado em 1943, obteve título de mestre em 1947 e de doutor em 1951. Atuou em universidades importantes no Brasil e em outros países, contudo, conquistou uma posição de destaque na Sociologia Brasileira devido sua atuação nos diferentes campos das ciências sociais, abrindo caminho para a profissionalização dos sociólogos ao defender a participação e a interferência dos intelectuais nos problemas nacionais, inaugurando um novo estilo de pensar a realidade social, por meio da qual se torna possível reinterpretar a sociedade e a história, bem como a Sociologia anteriormente produzida.
Fundador da Sociologia Crítica no Brasil, tem sua produção intelectual impregnada de reflexão, no questionamento à realidade e o pensamento sintetizado. Enfrentou especialmente durante a ditadura, a grande repressão por propagar no meio universitário, um engajamento dos intelectuais, aos problemas da sociedade brasileira. Foi desligado da Universidade e exilado no Canadá, com base no AI 5, retornando para o Brasil após 1972.

No Brasil, guiado pela inquietude em que o tema da Educação representava em seu projeto de sociedade, participou intensamente da Campanha em Defesa da Escola Pública, na criação do Fórum de defesa, no processo de construção da LDB, defendendo um projeto lei, democrático e tinha o apoio e a participação de diversas entidades sociais.
Nos últimos anos de sua trajetória de militância Educacional, sofreu uma grande decepção com dois amigos que militavam com ele, dentro de uma tendência que defendia um Educação com bases socialista na ocasião da Campanha em Defesa da Escola Pública, Fernando Henrique Cardoso e Darcy Ribeiro. Com este último travou diversos embates públicos até seus últimos dias de vida.
Este grande intelectual, a convite de Lula, inicia sua vida partidária no partido dos trabalhadores, mantendo sempre sua coerência, valoriza a diversidade dentro do partido, mas mantém-se, como ele me se intitulava: "lobo solitário", sendo admirado e respeitado por todas as alas do PT. Conquista o parlamento, onde convive com as tensões do momento de transição pelo qual passava o nosso país. No parlamento, dedica-se a defender as causas dos menos favorecidos, sem nunca abandonar sua dedicação ao tema Educação, desempenhando um papel de grande relevância na Constituinte de 1988. Acreditava que a Constituição poderia corrigir as desigualdades verificadas no projeto Educacional da sociedade.
Com toda sua participação na Constituinte, conhecendo por dentro o parlamento, Florestan teceu críticas de que o parlamento servia para sustentar o conservadorismo imperialista, expressando as tensões entre passado autoritário e as perspectivas futuras e que a constituição de 88 foi um processo inacabado, pois a própria conjuntura que desencadeou colocou a Constituição de um lado, e as organizações populares de outro.
Enfim, crítica social, militância ativa, dedicação à docência, a pesquisa, ao publicismo; o sociólogo e professor, político engajado na luta contra desigualdade, na defesa da educação pública, do socialismo, da democracia e da solidariedade entre a classe trabalhadoras e entre os povos latino-americanos fizeram do Professor Florestan Fernandes, um grande homem de nosso tempo – coerente, sonhador e comprometido com sua classe.

Principais Obras

Florestan começa a escrever no final dos anos 40 e ao longo de sua vida publicou mais de 50 livros e centenas de artigos. Suas principais obras foram:
· Organização Social dos Tupinambá (1949);
· A Função Social da Guerra na Sociedade Tupinambá (1952);
(Estas duas obras são indispensáveis para o conhecimento das nossas sociedades indígenas)
· Mudanças Sociais no Brasil (1960);
(Nesta obra Florestan faz um panorama de seu trabalho e retrata o Brasil)
· Fundamentos Empíricos da Explicação Sociológicas (1959);
(Esta é um dos clássicos da sociologia de Florestan, se esta obra tivesse sido publicada nos Estados Unidos, na mesma época, teria revolucionado o ensino da sociologia).
· Folclore e Mudança Social na Cidade de São Paulo (1961);
(Esta obra revela o Brasil do tradicionalismo popular, na qual se tornou um documento etnográfico sobre a cultura popular).
· A Integração do Negro na sociedade de classes (1964);
(Estudo das revelações raciais em nosso país).
· Sociedade de Classes e subdesenvolvimento (1968);
· A Revolução Burguesa no Brasil (1975).
(São obras que servem de eixo para compreender o Brasil que se seguiu à queda do antigo regime).
Bibliografia
FERNANDES, F. (1981) Sociedade de classes e subdesenvolvimento, 4ª edição, Zahar editores, Rio de Janeiro, RJ.
MARTINS,J.S.(1998) Florestan: Sociologia e Consciência Social no Brasil, Edusp, São Paulo – SP.
IANNI, O. (1986) Florestan Fernandes: Sociologia, Editora Ática, São Paulo - SP.
SILVA, M. L. O. (1998) Trabalho de Pesquisa do Historiador
http://www.florestaneducador.hpg.ig.com.br/sumario.htm